Japão: o que saber antes de ir
📌 Texto: Mônica Morás | @monicamoras Fotos: Eduardo Viero | @eduviero e Mônica Morás
Planejar uma viagem para o Japão parece simples até você começar a pesquisar. São muitos sistemas de metrô diferentes, regras sociais que não estão escritas em lugar nenhum, dinheiro em espécie que ainda manda no dia a dia e uma lógica própria que leva um tempinho para fazer sentido. Já planejei o Japão para centenas de clientes e toda vez a mesma coisa: quem chegou sem saber o básico ficou perdido nos primeiros dias.
Esse post é o que eu mando para todo mundo antes de embarcar. O que vale saber, o que te vai surpreender e o que ninguém conta direito em blog nenhum.
Resumo Rápido: Japão: 14 coisas para saber antes de ir
Moeda: Iene (¥). O Japão ainda funciona muito em dinheiro físico. Leve cash.
Cartão Suica/Pasmo: indispensável para metrô, ônibus e conveniências.
Internet: Airalo (eSIM) funciona muito bem. Ative antes de embarcar.
Seguro viagem: Seguros Promo (cupom EDUARDOEMONICA5) | Real Seguros
Hospedagem: Booking.com | Klook
Passeios (EN): Viator | Klook | Get Your Guide
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Japão: 14 coisas para saber antes de ir
O Japão funciona com regras que ninguém precisa explicar, mas todo mundo segue
A primeira coisa que impressiona quem chega ao Japão não é o que você vê, é o que você não escuta. Trens lotados em silêncio absoluto. Ruas movimentadas sem uma buzinada. Filas organizadas sem ninguém pedindo. Funciona assim porque existe uma lógica social muito clara: se algo pode incomodar alguém, não se faz.
Não é preciso ter lido um manual para entender. Você chega e percebe. Mas entender antes ajuda a não passar por situações constrangedoras nos primeiros dias.
1. O que você não faz no Japão
Não se come caminhando na rua. A cultura japonesa reserva a comida para ser saboreada parado, sentado, com atenção.
Não se fala ao telefone dentro do trem ou metrô. Em viagem mais longa, coloque no mudo e use fone.
Não se dá gorjeta, em nenhum contexto. Nem em restaurante, nem em táxi, nem em hotel. O serviço já está incluído no preço e oferecer dinheiro extra pode ser interpretado como ofensa. Um sorriso e um "arigatou gozaimasu" bastam.
Não se barganha. O preço exposto é o preço. Sem negociação.
Não se entra com sapatos em casas, ryokans e alguns restaurantes tradicionais. Há uma área específica para tirar o calçado (genkan). Preste atenção quando entrar.
2. O que vai te surpreender mesmo assim
As escadas rolantes. Em Tóquio, as pessoas ficam à esquerda e deixam o lado direito livre para quem quer subir andando. Em Osaka é o contrário: as pessoas ficam à direita. Parece detalhe, mas no começo você vai errar e perceber pelo olhar das pessoas. Importante: Enquanto escrevo este post (maio/2026), há uma nova regra sendo implementada, de não poder andar nas escadas rolantes. Preste atenção nos locais para saber onde pode e onde não pode.
Os semáforos emitem um som de pássaro. Não é decoração, é para auxiliar pessoas com deficiência visual. Você ouve isso nas ruas mais movimentadas e parece que existe um pássaro invisível em cada esquina. Observe que há dois tipos de barulho. Um significa de leste a oeste, e outro de norte a sul.
Os funcionários de loja sempre falam "irasshaimase!" quando você entra. É um boas-vindas e você não precisa responder.
Lixeiras públicas praticamente não existem. Os japoneses guardam o lixo consigo até encontrar um ponto de descarte. Você vai fazer o mesmo. Em geral, tem nas lojas de conveniência, e por isso sempre que comprávamos algo, comíamos ali mesmo e já descasávamos o lixo.
3. Cumprimento: o ojigi
A reverência (ojigi) é o cumprimento padrão. Quanto mais inclinada a cabeça, mais respeito demonstrado. Para turistas, um aceno leve com a cabeça já é suficiente e bem recebido. Aperto de mão acontece em contextos mais internacionais.
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4. Dinheiro: o Japão ainda é um país de cash
Por mais moderno que o Japão seja, o dinheiro físico ainda é o principal meio de pagamento no dia a dia. Muitos templos, restaurantes pequenos, mercados e máquinas de venda automática só aceitam iene em espécie. Chegar sem cash (dinheiro em espécie) é um problema real.
Onde sacar: os caixas eletrônicos mais confiáveis para cartões internacionais são os do 7-Eleven, Japan Post Bank e Lawson Bank. Funcionam 24 horas e aceitam Visa, Mastercard e cartões Wise. A taxa média por saque fica entre ¥110 e ¥220. Nós sacamos com o Wise no 7Eleven.
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5. Cartão Suica e Pasmo
O Suica e o Pasmo são cartões recarregáveis que funcionam para metrô, ônibus e até em lojas de conveniência. Você pode configurar o Suica no celular (iPhone ou Android compatível - vá na carteira do telefone e adicione em “cartões de transporte”) e recarregar com cartão de crédito em tempo real. É o método mais prático para se locomover no dia a dia. Nós adicionamos saldo pelo Wise e Nomad a medida que precisávamos de mais dinheiro no Suica.
Com o Suica: para entrar e sair pela catraca, você precisa ir na catraca escrito “IC”. Tem passar na entrada e na saída. O valor descontado aparece só na saída.
Quando você pega o metrô e depois o trem-bala (Shinkansen), a sequência é: primeiro passa o Suica na catraca do metrô e depois o bilhete do trem-bala, na mesma catraca. Por isso chegue com antecedência, pois você sabe, mas as demais pessoas podem se atrapalhar e fazer a fila ficar grande.
6. Tax Free: devolução de impostos
Em lojas com o selo Tax Free, turistas recebem de 8% a 10% de devolução na hora da compra. Leve o passaporte original, pois eles exigem o documento. Itens de consumo (cosméticos, snacks, remédios) precisam sair do país lacrados e não podem ser usados antes de embarcar.
7. Câmbio
O Wise e Nomad funcionam bem no Japão. O Revolut também é aceito em muitos lugares. Se for trocar dinheiro em espécie, faça no Brasil ou no aeroporto de chegada. Casas de câmbio no Brasil têm taxas melhores do que a maioria dos pontos de troca no país. Nós usamos o Wise para carregar o Suica.
8. Internet: como ficar conectado
O Japão é extremamente conectado. A internet é rápida e estável, inclusive dentro dos trens-bala. Você não vai ter problema de sinal nas grandes cidades.
A opção mais prática hoje é o eSIM. O Airalo funciona muito bem no Japão, com planos de 10 GB a partir de US$15 por 30 dias. Você ativa antes de embarcar e já chega conectado, sem precisar de chip físico nem esperar fila no aeroporto. Com um chip virtual vicie mantém o seu do Brasil e o local também, o WhatsApp fica no seu nëmro do Brasil. Nós usamos a Airalo e funcionou em todas as cidades que visitamos.
Para grupos ou casais que preferem compartilhar uma única conexão, o Pocket WiFi portátil ainda é popular e funciona bem.
📱 Garanta seu eSIM para o Japão com a Airalo e chegue conectado desde o primeiro momento.
9. Seguro viagem: não é obrigatório, mas é imprescindível
O atendimento médico no Japão é de alto nível, mas não é gratuito para turistas. Uma consulta simples pode custar várias centenas de dólares. Seguro viagem com cobertura médica ampla não é opcional, é parte do planejamento.
Prefira seguros que pagam as despesas diretamente ao hospital, e não apenas por reembolso. Nossos parceiros: Seguros Promo (cupom EDUARDOEMONICA5) e Real Seguros.
10. Medicamentos: atenção antes de colocar na mala
O Japão tem regras rígidas para importação de medicamentos. Remédios comuns no Brasil como Naldecon, Benegrip, Neosoro e qualquer produto com pseudoefedrina são proibidos. Remédios controlados (Ritalina, clonazepam, diazepam) exigem autorização prévia do governo japonês.
Leve sempre os remédios na embalagem original, com a prescrição médica. Se precisar de medicamentos controlados, consulte o site do Ministério da Saúde japonês antes da viagem para solicitar o certificado Yakkan Shoumei.
11. Água, máscaras e protetor solar
A água da torneira é potável em todo o país. Quando não for potável, haverá uma plaquinha avisando.
Durante o inverno e a primavera, é comum ver pessoas usando máscara cirúrgica para se proteger do frio e do pólen.
Protetor solar e repelente são fáceis de encontrar em qualquer konbini (loja de conveniência) ou farmácia.
12. O que ninguém conta sobre o Japão
Os banheiros públicos são incríveis (de verdade)
Os banheiros japoneses têm a reputação que têm por uma razão. São limpos, equipados com aquecimento de assento, jato de água regulável, secador e, em muitos casos, música ambiente. Usar um banheiro público no Japão é uma das experiências mais desconcertantes e agradáveis da viagem.
Os Corredores das estações são enormes e confusos
A estação Shinjuku em Tóquio tem mais de 100 saídas. Não é exagero. Na primeira vez, qualquer um se perde. O Google Maps é seu melhor amigo no Japão e funciona muito bem dentro das estações. Sempre cheque qual saída usar antes de sair do trem no Google Maps. E se tiver dúvida de onde há entradas de metro, de zoom no Google Maps, pois nem todas estão listadas. Em Osaka isso é muito útil!
O idioma é uma barreira real, mas menor do que parece
Poucos japoneses falam inglês com fluência, especialmente fora das grandes atrações turísticas. Mas o país é extremamente organizado em sinalização, os menus têm foto na maioria dos lugares, e o Google Tradutor com câmera resolve a maioria das situações. Baixe o pacote de idioma japonês offline antes de ir.
Nós falamos bem inglês, porém interagimos com pouquíssimas pessoas na viagem toda, pois tudo é bem sinalizado e muito intuitivo. Ainda assim, todos falavam muito bem.
Passaporte: leve sempre com você
O passaporte original é exigido em hotéis (check-in), em lojas com Tax Free e em alguns bares e locais com restrição de idade. Não funciona foto no celular para essas finalidades. Leve no bolso ou numa bolsa pequena durante o passeio.
Há uma multa pesada (caríssima!) se algum policial te parar e pedir para ver o passaporte e você não estiver com o seu passaporte físico.
Tomadas e voltagem
As tomadas são tipo A (duas pinos chatos), com voltagem de 110v. Se seus eletrônicos aceitam bivolt, ótimo. Leve seu adaptador e T/Benjamin, pois voce vai precisar!
Nós ficamos em bons hoteis, mas sentimos bastante a falta de tomadas suficientes para carregar celular, computador, baterias das câmeras, power bank, etc.
13. Otoshi: o couvert que aparece sem você pedir
Se você for a bares ou izakayas no Japão, vai encontrar o otoshi: um pequeno petisco que aparece na mesa assim que você se senta, sem pedir. Ele já vem na conta, entre ¥300 e ¥500 por pessoa.
Não é erro, não é um brinde. É uma taxa de serviço e faz parte da cultura local. Em alguns lugares, o otoshi é substituído pela obrigação de pedir pelo menos uma bebida junto com a comida. Aceite como parte da experiência.
14. O que não pode entrar no Japão
Cigarros eletrônicos com nicotina e líquidos de refil com nicotina são proibidos.
Materiais que possam ser considerados obscenos pelas autoridades japonesas.
Medicamentos com pseudoefedrina acima do limite permitido (veja seção de medicamentos acima).
Falsificações de qualquer tipo.
O controle alfandegário é rigoroso. Na dúvida, deixa em casa.
Perguntas frequentes sobre o Japão
Brasileiros precisam de visto para o Japão?
Não. Brasileiros têm isenção de visto para estadias de até 90 dias. Basta o passaporte válido e comprovante de hospedagem e passagem de volta. Essa regra vale até Setembro 2026. Confira se ainda se aplica na data da sua viagem.
Preciso falar japonês para viajar sozinho?
Não é obrigatório. As principais cidades têm sinalização em inglês, os menus costumam ter foto ou réplica em plástico dos pratos, e o Google Tradutor com câmera resolve a maioria das situações. Em 2 semanas contamos nos dedos as vezes que precisamos perguntar algo em inglês, e nós falamos muito bem.
Quanto dinheiro em espécie levar para o Japão?
Depende do seu perfil de viajante e da duração da viagem. Uma referência: ¥3.000 a ¥5.000 por dia para alimentação casual em restaurantes populares e conveniências, mais o transporte dentro das cidades. Templos, passeios e compras entram à parte.
É seguro viajar ao Japão?
O Japão é um dos países mais seguros do mundo para turistas. Crimes contra turistas são raros. As maiores dificuldades são práticas: se perder nas estações, não entender o cardápio, não ter cash.
Qual a melhor época para ir ao Japão?
Cada época tem seu apelo. Primavera (março a maio) é a temporada dos cerejeiras, a mais disputada e a mais cara. Outono (outubro a novembro) oferece folhagens laranja e vermelho e clima agradável. Verão é quente e úmido. Inverno é frio e mais calmo, com neve em algumas regiões. Evite o verão, pois a umidade é extremamente alta, chove muito e pode ter tufão.
Antes de fechar as malas PARA O JAPAO
O Japão é um destino que recompensa quem chega preparado. Não precisa saber tudo, mas entender o básico dos costumes, ter o Suica configurado, o eSIM ativado e o seguro contratado resolve a maior parte do estresse dos primeiros dias.
Se quiser um roteiro feito para o seu perfil, com as cidades certas, o tempo certo em cada lugar e dicas que vêm de quem planejou o Japão para centenas de viajantes, conheça nossa consultoria personalizada.
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Mônica Morás é autora do blog Eduardo & Mônica, onde publica roteiros completos e conteúdos de viagem baseados em mais de 70 países visitados, com foco no Sudeste Asiático e destinos fora da rota tradicional. Hoje, além de produzir vídeos, também oferece consultorias personalizadas para quem quer viajar com mais autonomia e segurança. Acompanhe também no Instagram: @monicamoras.
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