Como a Tailândia Mudou a Minha Volta ao Mundo

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Texto: MONICA MORAS   Fotos:  EDUARDO VIERO e MONICA MORAS

Há muito tempo eu queria compartilhar um dos sentimentos mais diferentes que eu tive durante a viagem, o de chegar na Tailândia pela primeira vez e de como é viver lá. Um misto de sensações que eu jamais pensei que pudesse sentir num lugar tão distante e diferente.

Durante o planejamento da viagem a Tailândia nunca passou pela minha cabeça como um lugar interessante. Meu interesse era apenas ver alguns templos, saber sobre os elefantes, ir para praia, o Eduardo queria fazer uma tatuagem e sair logo desse país que Hollywood insiste erroneamente em mostrar como perigoso. Determinamos 20 dias, e quem diria que se tornariam 3 meses da primeira vez, mais de 1 ano no total e que eu ainda voltaria sozinha para um temporada longa?!

Vínhamos de Bali , de uma crise terrível (veja aqui) no começo da volta ao mundo em 2014, depois de 3 meses viajando que quase nos separou e acabou com a viagem. Bangkok seria o nosso último destino juntos, afinal as passagens já estavam compradas. Que bobinhos!

Fomos de taxi até o nosso Airbnb e jamais vou esquecer de sentir o coração bater mais forte a cada prédio imenso, a cada letreiro piscando, a cada novo templo durante o caminho. Bateu mais forte ainda quando chegamos no nosso bairro, o Lumpini, e quase saiu pela boca quando chegamos na nossa rua. Uma típica rua tailandesa, sem calçada, cheia de bares, gente animada, casas de massagem, lavanderias, comida de rua e uma mistura de cheiros (bem ruim) que eu jamais vou conseguir explicar, mas que hoje me faz sorrir e sentir em casa.

Eu havia desembarcado na terra dos sorrisos, das pessoas gentis, tranquilas, onde o velho se mistura com o novo numa perfeição indiscutível, onde as pessoas não apenas existem, elas vivem. E foi assim que eu descobri que eu amo lugares imperfeitos, misturados, com uma lógica diferente, mas que faz todo sentido se olhar de pertinho, com carinho. 

Mônica em Chiang Mai

Eu lembro do sol escaldante, do verde dos parques, de sentir frio no metro, skytrain e até dos shoppings, das chuvas torrenciais na época das monções, dos vários festivais que participei, lembro de aprender a pegar ônibus em tailandês e lembro da minha primeira vez num templo e da paz que eu senti lá dentro. Lembro também de cada um dos amigos que fizemos e dos clientes que vieram depois, de como as portas se abriram para trabalhar, de como tudo mudou depois que chegamos lá e quanto aquele país foi decisivo para chegarmos onde estamos hoje anos depois. São tantas memórias...

Foi na Tailândia que eu aprendi a confiar mais nas pessoas, aprendi sobre o budismo, sobre o quão apimentada uma comida pode ser (de arder os olhos), que fazer o bem sem olhar a quem lá é uma regra básica de convivência em sociedade e que apesar da educação rígida, eles são muito criativos e empreendedores, adeptos do DYI (faça vocês mesmo). Tailandeses são do tipo de pessoas que encontram soluções ao invés de ficar apenas apontando problemas.

A Tailândia me ensinou a ver com o coração também, porque é com ele que a gente vê a beleza das coisas, das pessoas e da vida. Me provou que preconceito é uma coisa de dar vergonha em quem sente, que ser diferente é muito normal, que educação e gentileza se aprende em casa desde pequeninho, e que sorrir deveria ser um hábito mundial para o bem da humanidade. E agradecer gentilmente também!

Eduardo recebendo a Sak Yant

Eu andei sozinha a noite em ruas que eu jamais ousaria se estivesse no Brasil. Eu entrei em tuktuk que fez o transfer de ônibus (incluído no pacote) sem saber onde eu estava e nem para onde estava indo. Eu comi Panang Curry e Khao Soi suando de tanta pimenta, e ainda tomei o caldinho, porque tava uma delícia. Na verdade eu comi tanta coisa que eu nem lembro o nome, mas que tava uma delícia. Eu gritei de pé com a galera torcendo nas lutas de Muay Thai que eu nem sou tão fã assim. Até tatuagem de bambu eu fiz! Chorei de dor, mas fiz!

Eu andei de moto naquela confusão toda, comprei fruta picada do tio da esquina todos os dias e negociei cada um dos redtruck (os caminhões/taxi) de Chiang Mai. Aprendi que 5555 significa hahahaha (ha é 5 em tailandês), que um rei pode ser muito amado sim pelo seu povo e que café gelado até que é bom, ainda mais se o copo vier com aquele suporte tipo sacolinha pra carregar sem molhar a mão.

Eu conheço Bangkok melhor do que eu conheço Porto Alegre, e eu não falo tailandês. E eu ainda tenho tanto para explorar... Eu lembro de chegar em Chiang Mai e me sentir em casa, porque de fato nós sempre tivemos uma casa lá (alugada por temporada). E de chegar em Pai e não querer ir embora, de perder o ar só de ver Koh Lipe ainda de longe no barco e de parecer uma criança feliz distribuindo sorrisos nos mercados locais mais confusos. Tailândia descontrói, abala as estruturas dos desavisados. 

E eu lembro de ir embora pela primeira vez com o coração apertado. Na verdade eu sempre fui embora da Tailândia de coração apertado e sempre voltei com ele aliviado. Com aquela sensação de estar de volta em casa, saber como tudo funciona, de saber que nós sempre teremos a Tailândia quando precisarmos de paz, e foi pra lá que voltamos quando já não sabíamos mais para onde ir. A Tailândia é paz, é onde eu respiro, é onde eu me inspiro. 

Sim, a Tailândia é um país tropical paradisíaco melhor até do que nas fotos. Sim, a Tailândia é o lugar mais barato que já moramos.  Sim, dá para ter cara de turista e levar uma vida local, porque os locais vão perceber a diferença (até o tuktuk, juro!). Sim, tem muitas coisas ruins que acontecem, como prostituição, drogas, golpes em turistas desinformados, sujeira, mesmo sendo tudo muito limpo, e bagunça, apesar de ser tudo organizado. E sim, todo mundo deveria ir para Tailândia para fazer brilhar os olhos, abrir a mente, encontrar a paz no meio do caos e botar um sorriso permanente no rosto.

Já conhece a Tailândia? Me conta nos comentários o que sentiu! Tá planejando ainda? Começa pelo post Tudo Sobre a Tailândia: 28 Dicas de quem Morou lá Bastante Tempo

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