Saúde na Viagem: Vacinas, Seguro, Cuidados e Menstruação

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Texto: Mônica Morás   Fotos: Eduardo Viero

Se tem uma coisa que ninguém quer numa viagem é ficar doente. E mesmo assim esse é o tema mais polêmico na hora do planejamento: fazer ou não o seguro viagem? E se eu ficar doente sem seguro? E se eu pagar uma fortuna por um seguro que não vai cobrir justamente na hora que eu mais precisar?

Sim, passamos por todos esses dramas e tomamos a nossa difícil decisão: não tivemos seguro saúde nos 2 primeiros anos de viagem. Mas isso é uma decisão pessoal nossa, nao é conselho para ninguém! 

 

SEGURO SAÚDE

Adoraríamos ter, mas decidimos não contratar por vários motivos pessoais:

  • Todos os seguros saúde têm um valor absurdo quando coloca o período de um ano passando por vários países.
  • Alguns seguros atendem apenas em algumas cidades dos países que visitaríamos.
  • Alguns não davam cobertura em caso de acidentes comuns na Asia, como os de moto.
  • Alguns exigiam contato antes do atendimento para indicar um lugar para ir, sendo que alguns lugares o sinal de celular é uma lenda urbana, como no Interior do Laos e Camboja.
  • Se fizéssemos o trekking do Campo Base no Nepal, contrataríamos um seguro específico para essa atividade com resgate de helicóptero incluído, porque é uma atividade de alto risco.
  • Temos um médico na família.

No ano 3 da viagem isso mudou ;) 

 

O QUE ACONTECEU NA VIAGEM

As coisas leves aconteceram com o Eduardo: dores de cabeça, congestão nasal, um resfriado, uma alergia de pele crises do nervo ciático a ponto de ficarmos tempo a mais em alguns lugares, porque ele não conseguia andar. 

Já no Camboja eu, Mônica, tive uma intoxicação alimentar num restaurante ótimo, aparentemente limpinho (?), na noite que voltamos do Angkor Wat. Me rendeu 4 dias vivendo de bolacha água e sal e litros de água. Não fui no médico, apenas segui todas as orientações básicas desses casos, me hidratando, repousando (até porque eu não conseguia me mexer), tomando remédios para aliviar as dores e esperei um dia para ver se a coisa ia melhorar ou não. Fui melhorando e consegui fazer a viagem toda de ônibus de Siem Reap até Ho Chi Minh já no terceiro dia. Leia os sintomas no tópico Nosso Cuidados, abaixo. 

Também levei um tombo bobo bem na frente do hospital de Yantai, no fim do mundo da China onde ninguém fala nenhuma palavra em inglês. E não apenas um tombo, levei três pontos embaixo do queixo onde hoje existe apenas uma cicatriz quase imperceptível. Nossa sorte é que na hora que eu caí nosso amigo chinês que fala inglês estava junto e me acompanhou no hospital.

Entre consultar na emergência do hospital, anestesia local, testes de alergia, reforço da vacina do tétano (pois o corte foi na região da cabeça), sutura (pontos), limpeza regular, troca de curativos durante uma semana, antibióticos e tirar os pontos em Xangai, teve um custo total de 30 dólares e muitas história de como o povo na China é sensacional e prestativo.

Curativo amigo e nada discreto por uma semana

A PREPARAÇÃO E AS VACINAS PARA VIAGEM

Alguns países exigem o Certificado Internacional de Vacinação da Febre Amarela, então a primeira providência foi fazer a vacina da febre amerela. Mas como tínhamos 8 meses, aproveitamos e fizemos todas as doses da vacina da hepatite B, o reforço do tétano/difeteria e da gripe H1N1 de graça nos posto de saúde. Eu já tinha feito da da Rubóla na campanha nacional.

Funciona assim:

  • Febre Amarela: 1 dose, validade de 10 anos, exigida em muito países.
  • Hepatite B: 3 dose com intervalos de dois meses, validade de 5 a 10 anos.
  • Tétano e Difeteria: 3 doses com intervalos de 2 meses, validade de 10 anos. Quem conseguir comprovar que fez a vacina quando criança (nosso caso), apenas faz o reforço de 1 dose.
  • Gripe H1N1: 1 dose, validade de 1 ano.

Depois de fazer as vacinas, nos cadastramos no site da Anvisa e fomos até o posto deles no aeroporto de Porto Alegre pegar o Certificado Internacional de Vacinação. Lá foi só apresentar um documento de identificação com foto, a carteira de vacinação e assinar o certificado na frente da moça que nos atendeu. É obrigatória a presença da pessoa para a emissao do Certificado. Todo processo levou menos de 5 minutos. Caso a pessoa não se cadastre previamente no site da Anvisa, eles disponibilizam um computador para fazer isso na hora. São informações de documentação, endereço e países a serem visitados.

Tanto no site quanto pessoalmente eles tiram várias dúvidas sobre os destinos, dão recomendações de saúde, informam a situação de alguns surtos, etc.

 

NOSSO CUIDADOS NA VIAGEM

São os mesmo que já tínhamos no Brasil:

  • Lavamos sempre as mãos antes de comer e quando isso não é possivel, temos lenços umedecidos sempre na bolsa.
  • Consumimos apenas água engarrafada.
  • Evitamos consumir gelo e sucos em lugares duvidosos.
  • Evitamos experimentar coisas diferentes sem uma pessoa local de nossa confiança para nos orientar, principlamente quando se trata de frutos do mar.
  • Apenas consumimos comida de rua feita na hora. Na Asia é comum deixar os alimentos expostos a venda durante um longo período de tempo, pegando sol, poeira, sentando bichos, etc.
  • Preferimos restaurantes movimentados, mesmo os pequenos frequentados apenas pelos locais, porque isso “indica” que a comida é boa para o consumo.
  • Mantemos uma frequência alimentar, com horários, evitando ao máximo comer "qualquer coisa" e nos dois primeiros meses tomamos o centrum até nosso organismo se acostumar com as mudanças constantes de comida, ambiente, clima, etc.

ESTATISTICA: Mesmo com todos esses cuidados, 50% dos viajantes em países subdesenvolvidos, e 10% em países desenvolvidos vão ter a temida diarréia do viajante, um tipo de intoxicação alimentar que causa dores abdominais, febre, calafrios, tremores, náusea, vômito, dor de cabeça, dor nas articulações, além da diarréia. Tudo junto ao mesmo tempo! Normalmente ela dura 3 dias e deixa a pessoa de cama por pelo menos 1 dia. Eu entrei para as estatísticas dos 50%!

Sustentando as olheiras e o cansaço dos dias trágicos de cama

OS MEDICAMENTOS NA VIAGEM

Trouxemos apenas o que recebemos indicação do nosso médico, além de bandaid e termômetro. Então consulte o seu antes de montar a lista de medicamentos.

  • Dor de cabeça
  • Febre
  • Dores musculares
  • Dor de estômago
  • Alergias (insetos e rinite)
  • Pomada para alergias de pele
  • Náusea
  • Colírio lubrificante
  • Descongestionante nasal
  • Antibióticos (indicados para nós)

Com excessão dos antibióticos (fáceis apenas na China), aqui na Asia todos os outros medicamentos são de fácil acesso nas fármacias e mercados sem receita médica.

 

MENSTRUAÇÃO NA VIAGEM

Eu optei por trazer cartelas de pílula para o maior período da viagem e fazer todas as pausas. Carrego uma receita do meu médico que diz que eu tenho 8 comigo. Eu já estava habituada há anos com ela e acho a forma mais prática para mim, pois eu controlo o meu ciclo e posso me prevenir com absorventes internos ou evitar passeios em que seja dificil o acesso a um banheiro de verdade, e não apenas um buraco no chão sem um torneira com água corrente para lavar as mãos antes e depois.

Mesmo com as loucuras do fuso, tento tomar todos os dias no mesmo horário e durante a viagem nunca emendei uma cartela na outra, porque eu não me sinto bem quando faço isso e parece que fico de tpm durante toda a segunda cartela sem ter feito a pausa. E super importante para mim é que pílula que eu tomo é de um laboratório internacional vendida na maioria dos países só falando/mostrando o nome na Asia. Em alguns lugares da Europa (ex. Irlanda) é necessário ter receita de um médico local. Mas é claro que não existe apenas uma forma de se cuidar ou evitar a menstruação na viagem, como implantes, adesivos, injeções, DIU, etc, mas é melhor consultar um médico para decidir qual o melhor método.

Sobre os absorventes é bem fácil encontrar os externos em qualquer lugar. Os internos são um pouquinho mais complicados, principlamente os com aplicador para os lugares que não tem como lavar as mãos decentemente com água corrente e sabonete. Em países muçulmanos, como a Indonésia, é quse impossível achar os internos. Em Bali e nas Ilhas Gili tem, porque são lugares turísticos, mas tem que procurar bastante, pagar bem caro e ver as mulheres corando quando pergunta se tem para vender, mas o pior é ter que explicar o que é. Sempre carrego uma caixinha extra comigo. Eu nunca usei o coletor menstrual, nunca vi ou peguei um, mas já li sobre o assunto e achei bem interessante.

Com saúde não se brinca, então é melhor tomar uma decisão bem consciente pensando em todas as consequências, até nas mais absurdas. 

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