Comunicação na Viagem: Precisa de Inglês?

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Texto: Mônica Morás    Fotos: Eduardo Viero e Mônica Morás

Quando saímos pra viajar a coisa que menos nos preocupou foi a comunicação. Não pelo fato de termos um inglês do nível se vira muito bem e um espanhol nível dá pro gasto, mas porque a gente sempre deu um jeito até onde ninguém falava algo que entendêssemos. 

Na Rússia, Mongólia e China as pessoas sequer entendem inglês e nem por isso deixamos de manter uma comunicação com entendimento muito bom. Bastou ter vontade de se fazer entender e das pessoas se esforçarem para compreender, seja por gestos, fotos, sorrisos, desenhos… Não importa, houve uma troca e isso foi suficiente.

Foi viajando que aprendemos a falar menos e escutar mais, observar mais, porque era disso que dependia o nosso entendimento das coisas. Na Mongólia ninguém nos disse nada em palavras, mas eles nos ensinaram mais do que algumas pessoas aprendem numa vida inteira. 

- Veja o post O QUE VOCE PRECISA SABER ANTES DE IR PARA A RUSSIA no item 2 onde explicamos como nos comunicamos durante o mês todo da Transiberiana.

Churrasquinho Brasileiro na China, tão autêntico quando Comida Chinesa no Brasil. Culpa do tempero!

Foram 54 horas dividindo a mesma cabine do trem na Rússia, falando o tempo todo e nenhuma palavra no mesmo idioma.

Falar inglês na viagem nos deu a oportunidade de trocar experiências com outros estrangeiros, aprender mais sobre a cultura do país que estávamos e arranjar trabalho com menos dificuldade. As pessoas gostam de conversar e é impossível não conhecer gente nova todos os dias.

E quanto maior é o interesse que se demonstra pela cultura local, mas os nativos querem contar. E quanto maior a identificação com o tipo de viagem, mais experiências são trocadas com outros viajantes.

E quanto melhor o inglês, mais fácil fica explicar que estamos viajando, somos fotógrafo e precisamos trabalhar para seguir a viagem. As pessoas se comovem, viram amigos e conseguimos trabalhos, tudo na base da conversa no bom sentido, óbvio!

- Veja o post COMO FAZEMOS PARA VIAJAR E TRABALHAR NA ESTRADA onde contamos mais como é o processo.

Com elas aprendemos mais sobre o país, fizemos novos amigos e conseguimos trabalhos

Nosso inglês “se vira bem” passou pro nível “esqueci palavras em português”, de tanto que conversávamos o dia inteiro, a ponto de às vezes chegar em casa e misturar tudo entre nós dois sem querer. 

 

Eu preciso falar inglês para viajar?

Na América do Sul é tranquilo. Na Europa talvez, porque existem países que falam língua latina e isso facilita o entendimento por dedução. Na Asia é mais complicado, porque a língua deles é completamente diferente e eles se esforçam para nos receber na língua "padrão" do turismo.

Mas não é impossível viajar sabendo só o básico para passar na imigração. Tudo depende do tipo e objetivo da viagem! Se é só turismo, a viagem está toda organizada, tudo agendado, um roteiro bem feito, dá para arriscar. Agora se a viagem é mochilão que vai mudando o tempo todo, daí complica! 

O domínio de línguas abre as portas. Quando moramos na China, aprendemos a falar um pouco de mandarim nível passa na imigração e aquele pouco já foi suficiente para abrir portas que nem imaginávamos conseguir só com o inglês.

Falar inglês nos ajuda a conseguir trabalhos, conhecer novas pessoas, passar melhor pela imigração quando fazem perguntas mais específicas, negociar quando estamos comprando alguma coisa, defender nosso ponto de vista, pesquisar sobre qualquer coisa com mais tranquilidade para achar informações mais facilmente. 

- Veja o post 10 ATITUDES PARA VIAJAR COM SEGURANCA

 

Inglês na Asia

Na Asia muitas pessoas não conseguem diferenciar de onde nós ocidentais somos, porque todos falamos uma única língua comum quando estamos com eles. E por isso se você chegar num mercado noturno da Tailândia e disser que não entende inglês, eles vão ficar bem confusos, porque se esforçaram para tentar se comunicar com os farang (pessoa de origem europeia indiferente de qual país ocidental; gringo).

-Veja o post TUDO SOBRE A TAILANDIA: 28 DICAS DE QUEM MOROU LA BASTANTE TEMPO no item 18.Idioma

Não precisa ser fluente, até porque lá tem que falar o basicão de forma simplificada, sem formar frases: how much; no spicy; too much expensive; no, thank you; e por aí vai. Os menus e sinalizações também estão em inglês até na beira da estrada onde ninguém fala ou entende nada, então é melhor saber sim alguma coisa para não passar trabalho.

E ainda falando da Ásia, especialmente no Sudeste Asiático, é muito importante entender que a lógica da língua deles é totalmente diferente da nossa. Muita gente acha que eles perguntam demais, que são intrometidos, mas não é bem assim. Eles não tem verbos na construção das frases e nem pressupõem nada, ou seja, ninguém vai perguntar que tipo de música você gosta se eles sequer sabem se você gosta de música (Você gosta de música? Que tipo de música você gosta?). E ninguém vai te convidar pra fazer algo sem saber onde você foi, onde você pretende ir e o porque, só assim eles vão entender se você está livre. Não é intromissão, é a forma deles de raciocínio, principalmente pra quem fala muito pouco inglês. 

- Veja o post 11 APLICATIVOS ESSENCIAIS PARA VIAJANTES

Como eu disso, não é impossível viajar sem falar inglês, mas fácil também não é. 

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