Como Eu Me Libertei Do Meu Guarda-Roupa

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Texto: Mônica Morás   Fotos:  Eduardo Viero e Morgana Morás

Era uma vez uma mulher de 20 e tantos anos com um guarda-roupa cheio de coisas e que não usava nem a metade delas. Um dia ela foi viajar deixando tudo em casa e viveu feliz para sempre.

Essa louca da história sou eu! Não foi tão rápido e fácil assim desapegar, mas eu consegui, hoje vivo com poucas peças e me sinto ótima por isso! Já escrevi antes contando que desapego é uma questão de hábito, mas antes de falar sobre como arrumei a mochila, e como eu me mantenho sempre arrumada para as fotos, vou contar como foi o processo todo de destralhar.

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 FASE I: MAIS DE UM ANO ANTES DE DECIDIR VIAJAR

Tudo começou mais de um ano antes de pensar na viagem, quando eu li o livro Madame Charme da Jennifer L. Scott. Aquilo abriu meus olhos e começei a praticar imediatamente os ensinamentos do capítulo Estilo e Beleza. Basicamente ela ensinava a destralhar o guarda-roupa, definir um estilo, praticar ele com 10 peças e vestir-se diariamente com o que se tem de melhor.

Como eu achei meio radical demais ter apenas 10 peças, eu mudei um pouco as regras e funcionou bem. Meu processo levou um final de semana inteiro de drama e desapego:

1. LIBERTE-SE COM O GUARDA-ROUPAS DE DEZ PEÇAS

Eu fiquei com mais de dez peças, mas todo meu guarda-roupa (sem maquiagem, sapatos e bolsas), cabia dentro de uma mala de viagem. Primeiro tirei tudo que não combinava comigo, não me caia bem, que amassava muito (pavor de passar a roupa!) ou não me servia.  Depois separei tudo que era difícil de combinar e experimentei o resto fazendo o teste do espelho me olhando de todos os ângulos: de pé, de lado, de costas, sentada, abaixada (saias e vestidos) e cortei o que não passou no teste dos ângulos. Fiz o mesmo com sapatos.

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2. ENCONTRE O SEU VERDADEIRO ESTILO

Ela ensinava a se definir, mas não dessa forma fashion pronta que dizem por aí (street, boho, ladylike, minimal, etc). Era uma coisa muito mais pessoal, que apenas eu mesma precisava entender o que aquilo significava pra me ajudar na escolha das peças. Parece complicado no primeiro momento, mas quando se tem o nome do estilo definido a coisa fica mais fácil.

Me defini como “básica delicada”, que significava pra mim ter: maior parte das peças lisas, algumas estampas e florais discretos, cores neutras e foscas, vestidos rodados, acessórios com detalhes pequenos que lembrassem algo antigo, saltos baixos, maquiagem diária leve e cabelo solto ou com trança. E o principal, tinha que ser prático e confortável para usar em qualquer ocasião e tudo precisava combinar entre si.

3. APERFEIÇOE O VISUAL CARA LAVADA

Eu já praticava isso de usar maquiagem leve, que ressaltasse a beleza natural, afinal eu tenho sardas. Então só tive que fazer faxina nas maquiagens, porque eu tinha coisas que não combinavam com o meu tom de pele.

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4. SEMPRE ESTEJA APRESENTÁVEL

Essa foi a segunda parte do desapego. Eu já tinha um estilo e teoricamente tudo que sobrou deveria ficar bem. Então testei se tudo realmente combinava entre si e conferi cores, tecidos, cortes. Tudo era muito confortável de usar e com uma mudança pequena de alguma peça ou acessório, eu estava pronta para qualquer outro tipo de ocasião. Eu adorava aquelas peças! E na verdade eu percebi que eu usava elas a maior parte do tempo mesmo, enquanto o resto ficava lá só ocupando espaço.

Mas eu havia insistido em ficar com uma camiseta velhinha de usar em casa, até que li no livro “não caia na tentação de parecer um trapo” e resolvi me desfazer dela também. Quem já saiu de casa meio mendiga pra receber o correio e encontrou o prédio inteiro no elevador, sabe do que eu to falando.

Comecei a me guiar pelo meu estilo e parei de comprar por impulso. Se comprava, era apenas coisas de qualidade e que eu fosse usar por um longo tempo. Isso não significava ser caro, era uma compra inteligente, mesmo que fosse fast fashion. Eu entrava na loja sabendo o quanto eu estava disposta a gastar e me permitia experimentar coisas diferentes, mas a peça precisava se encaixar no meu estilo e combinar com tudo que eu já tinha.

Passei a usar o tempo inteiro apenas roupas boas (aquelas “de sair”!) e me sentia mais produtiva, mais confiante. Todos os dias passaram a ser especiais e era raro eu brigar com o espelho. Eu já estava livre do guarda-roupa, economizando um monte e escolher o que vestir era fácil, sem perdas de tempo. Até a muda de roupa extra que levava nas viagens de final de semana agora era a mesma de uma viagem de semana inteira, afinal tudo combinava entre si. Eu já estava totalmente habituada a desapegar!

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FASE II: QUANDO DECIDI VIAJAR

Quando decidimos viajar, eu tive que radicalizar mesmo! Fazer o tal armário cápsula. Essa parte foi mais complicada, precisei treinar usar a mesma roupa dias seguidos, como um final de semana inteiro (de sexta a segunda). Tinha fazer uma escolha inteligente que me permitisse trabalhar, passear e sair para jantar sempre usando a mesma coisa. A noite eu lavava à mão alguma coisa que tivesse suado para secar até o dia seguinte. Até aí não foi tão difícil.

Mas pra viagem eu precisaria viver por um ano com muito menos do que eu já tinha, com roupas que ficassem bem na praia, na montanha, na cidade, no calorão e na neve. O drama foi que a mochila era menor que a mala onde cabiam todas as minhas roupas, e na mochila eu precisaria também colocar sapatos, acessórios, necessaire (beleza, higiene e saúde), os cabos dos gadgets e algumas coisas para a viagem em si. 

Treinei muito e finalmente consegui fazer tudo caber direitinho na minha mochila de 42 litros, que hoje pesa 12 quilos, como contei no post Como Arrumar a Mochila para Volta ao Mundo. E também escrevi sobre Como Estar Bem Arrumada durante o Dia Todo na Viagem para ficar sempre bonitas nas fotos e o post O Desafio da Vaidade na Estrada contando detalhes da rotina de beleza. 

 

GALERIA: ENTRE O LIVRO E A VIAGEM

 

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